13/11/2012

Insônia

                                    INSÔNIA 


Uma certa noite,
recostado em meu leito,
senti uma forte saudade
a corroer meu peito.

Munido do poder
somente aos poetas ofertado
viajei através do pensamento
e encontrei-me a seu lado.

Nesta viagem sem limites
pude rever-te e, naquele momento,
sentir a alegria me invadindo
banindo-me do sofrimento.

Estava você, como sempre, bela:
lábios carnudos, voz firme empostada
sorriso cativante, cabelos macios
pele jovial e bronzeada.

Ah, que momento maravilhoso!
Fez-me sentir um príncipe
ladeado por tão bela princesa...

Mas, de volta para a realidade
que nada tinha a ver com a nobreza,
fez-me somente o vazio contemplar.

É tudo o que sua ausência me proporciona;
fitei o vazio e voltei a pensar.

Onde estaria você naquele momento?
Certamente encantando um outro
pela sua presença embriagado,
pelo seu modo de ser envolto.

Na penumbra de meu quarto,
por um, talvez dois quartos de hora,
fiquei parado, o infinito a fitar
até minha lucidez ir embora.

Sua falta me arremessa ao vazio
que somente quem é especial oferece...
Então, por que não deixa seu orgulho de lado
esquece tudo o que passou e reaparece?
© Valter Montani
Revisão de Texto: Regina Azevedo 
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