12/05/2010

Liberdade querida, e suspirada (Bocage)


Liberdade querida, e suspirada
Que o despotismo acérrimo condena:
Liberdade, a meus olhos mais serena
Que o sereno clarão da madrugada.

Atende à minha voz. que geme e brada
Por ver-te, por gozar-te a face amena;
Liberdade gentil, desterra a pena
Em que esta alma infeliz jaz sepultada.

Vem, ó deusa imortal, vem maravilha,
Vem, ó consolação da humanidade,
Cujo semblante mais que os astros brilha:

Vem, solta-me o grilhão da adversidade;
Dos céus descende, pois dos céus é filha,
Mãe dos prazeres, doce Liberdade!

Manuel Maria de Barbosa du Bocage
*preservada a acentuação original
Esta postagem, tem dois objetivos:

Treze de maio de 2010, comemora-se o 122º ano da abolição da escravatura no Brasil. E, de certa forma livrar o grande escritor português: Manuel Maria de Barbosa du Bocage conhecido aqui no Brasil simplesmente como: "Bocage" da imagem de ser um autor ligado somente ao anedotário popular de fundo maledicente ou indecoroso. Segundo Fernando Mendes de Almeida, autor da seleção de escritos: "Sonetos Bocage" Editora Ediouro S/A , o qual eu tive a felicidade de comprar numa loja de conveniências: "Bocage é a maior figura do Setecentismo que tantas glórias deu a Portugal, deixando uma grande e notável obra" conforme exarado na contracapa do livro.Eu fiquei maravilhado com os sonetos distribuídos nas 104 páginas da obra acima, indico sem pestanejar: comprem, vale a pena! saudações!
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