20/11/2009

Homenageada da semana, 20 a 26/11 Dalinha Catunda

Nesta semana, temos a honra de apresentar uma
legítima representante da poesia nordestina, grande cordelista que também com muita força e estilo inconfundível transita pelo gênero romântico e sensual.
Aprecie...Dalinha Catunda.

SER/TÃO MULHER
.

Tempo de fauna no cio,

De flora e em floração.

Menina flor do agreste

Em tempos de reinação.

Rolando no solo sagrado,

A luz de um sol encarnado,

Lasciva, demarca seu chão.

.

Era tempo de floradas,

Sol a pino, céu azul,

O cheiro impregnado,

Era da flor do caju

Seu rosto estava corado

Tal fruto do mandacaru.

.

Debaixo de um cajueiro

Fugindo do sol do sertão,

Num leito de folhas secas,

Sua seiva regou o chão

Era o "debout" nordestino,

De uma flor em botão.

.

Seu corpo e a natureza,

Tinham o mesmo linguajar.

Era uma rês mandingueira,

Pronta p´ra se domar.

Cavaleiro joga o laço,

Laçada não pôde escapar.

.

E foi à sombra da árvore

Sentindo o cheiro da flor,

Que sentiu-se atravessada

Pela espada do amor.

O troféu do cavaleiro

Foi o sangue que jorrou.

.

Alcoviteiro da paixão,

O frondoso cajueiro,

De frutos amarelados

Passaram a nascer vermelhos.

O sangue da virgem nativa

Foi o rubro feiticeiro.

Dalinha Catunda

Retrato do Passado
.
Namorou e ficou noiva.
Casou no padre e no civil.
Disse amém a sociedade
Que suas podres leis pariu,
E o que foi feito de sua vida
Não foi ela quem decidiu.
.
Casamento arranjado
Aos moldes tradicionais.
Um negócio ajustado
Aos interesses dos pais.
Que vedavam os ouvidos
A sua angustia e seus ais.
.
Filhos ela teve tantos
Nem pôde nos dedos contar.
Quando esvaziava o bucho,
Voltava a emprenhar.
Fez filhos e não amor,
Não aprendeu a gozar.
.
É uma boa parideira,
Dizia sempre o marido.
Pelas mãos da parteira
Eram os filhos recebidos.
Quando arriava a bexiga,
Com o médico era resolvido.
.
Empregada ela tinha,
Pois tinha “boa” situação.
Era uma cabocla prendada.
Era de forno e de fogão.
E nas quebradas da noite
Também servia ao patrão.
.
O marido era bom partido,
Criado nos dogmas da fé.
Aos domingos ia à missa,
Mas freqüentava o cabaré,
As taras eram com as putas,
E os filhos com a mulher.
.
“Até que a morte os separe”
Assim era feita a negociata.
O marido era um bom emprego,
A mulher deveria ser grata.
“O que Deus une ninguém separa”
Dai, a submissão era farta.
.

Uma fotografia na parede,
Retrata esse triste passado.
Que visando a posteridade.
Sempre fora bem focado
Entre paletós e bigodes
Vestidos bem comportados.
.
Lá se foi o velho tempo,
Do império patriarcal.
A mulher, hoje, evoluída
Não necessita de aval,
Desbrava o seu futuro
Encara o bem e o mal.

Dalinha Catunda
O CANTO DA GUERREIRA
.
Ipueiras dos cantos e recantos,
que canto em tom de saudade.
Do frouxo riso da infância.
Dos gozos da mocidade.
Da semente outrora plantada,
Fartura na maturidade.
.
Ipueiras da menina feliz,
que gostava de cirandar,
No gira-gira da vida.
Faceira a namorar,
no seu mundo de alegria,
gostava de se encantar.
.
Ipueiras das serenatas,
que corriam becos e ruas.
Dos jovens apaixonados,
cantando ao clarão da lua.
Da miragem feito mulher,
na janela seminua.
.
Cenário da inocência.
Caminhos da perdição.
Roteiro de uma vida,
transbordante de emoção,
uma guerreira, uma lenda,
teve Ipueiras em seu chão.
.
Na flor da maturidade,
carrega seu esplendor.
Menosprezando a hipocrisia,
ergue o estandarte do amor.
E beija em sinal de respeito,
a bandeira que hasteou.
.
Dalinha Catunda

BIOGRAFIA

Maria de Lourdes Aragão Catunda,

Que tem suas obras assinadas como Dalinha Catunda, Nasceu na cidade de Ipueiras-Ce. Filha de Espedito Catunda de Pinho, E Maria Neuza Aragão Catunda, Além de escrever poesias contos e crônicas, Tem uma paixão especial pela cultura popular. Paixão essa que lhe rendeu uma cadeira na ABLC, Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Hoje ocupa a cadeira 25 que tem como patrono,O poeta Juvenal Galeno. Com trabalhos publicados nos Jornais: Diário do Nordeste, E no Jornal O Povo, jornais de grande circulação no Ceará, Segue sua trajetória transformando sentimentos em prosas e versos.

veja mais trabalhos dela, conheça : CANTINHO DA DALINHA


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